O caminho das artes e o desenvolvimento da tecnologia provocou um desejo de transpor os limites dos meios materiais. Esta relação tornou-se visível através de autores de diferentes disciplinas artísticas tradicionais como a escrita, a pintura, a dança, entre outros.

Já Álvaro de Campos dizia:

O bêbado caía de bêbado

E eu, que passava,

Não o ajudei, pois caía de bêbado,

E eu só passava.

O bêbado caiu de bêbado

No meio da rua.

E eu não me voltei, mas ouvi. Eu bêbado

E a sua queda na rua.

O bêbado caiu de bêbado

Na rua da vida.

Meu Deus! Eu também caí de bêbado

Deus (…)

Os sentidos e as sensações estão patentes na escrita e a sua percepção chega-nos através da leitura. Este poema não conta apenas uma história, ele ultrapassa a barreira do subjectivo sentindo-se a presença e os sentimentos do autor. Podemos ver imaginando, dada a clareza da descrição das sensações e provoca em nós leitores uma sensibilidade intíma, capaz de ser sentida.

A pintura também aspirou ao progresso e Kurt Schwitters conquistou galerias com as obras de colagem ou ensemblage, que proporcionava à tela a tridimensionalidade e, consequentemente, a criação de novas técnicas artísticas.

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Schwitters utilizava os mais variados materiais para construir as suas peças. Desde metais, papeis (bilhetes de transportes, cartas, jornais), azuleijos, entre outros, assentes em superfícies também diversas, as suas obras eram quase como uma caixa de memórias, se ainda quisermos entender.

A dança também foi alvo da tecnologia quando associada ao vídeo, por exemplo. Muitas peças passaram a ser criadas não para apresentar a um público físico, mas a uma lente óptica como intermediação.

Ana Gonçalves