Alan Bigelow conta-nos histórias através de imagens, vídeos, sons e textos, tudo combinado em vídeos Flash. O artista trabalha assuntos como a política, a família, a literatura, e as artes em si, criando obras repletas de humor, e outras nem tanto. O que existe em comum em todas as suas obras é a presença de uma história, que não segue um rumo tradicional, mas sim “virtual”, misturando os várias componentes dos média tecnológicos.

“Brainstrips: A Three-Part Knowledge Series” é uma das suas obras que incorpora elementos de bandas desenhadas, hipertexto, e poesia/prosa cinética. A obra é composta por três tiras de banda desenhada na web: “Deep Philosophical Questions”, “Science for Idiots” e “Higher Math”, obras que possuem um olhar humorístico e irreverente sobre áreas como a filosofia, a ciência, a matemática, e também a cultura de consumismo. Cada uma delas foi criada como Flash e inclui textos, imagens, sons e vídeos.

A que mais me agradou foi a “Deep Philosophical Questions” (2008), a primeira da série. Através do uso de bandas desenhadas americanas criadas nos anos 30 e 40, do Golden Age of Comics, Bigelow mostra-nos quão a filosofia é inútil, porque não passa apenas de um conjunto de palavras que até podem fazer sentido no contexto filosófico, mas não têm um efeito significativo na realidade. Ao entrar no site desta chamada banda desenhada, encontramos um menu com 6 links diferentes, de 6 perguntas filosóficas diferentes. Cada um desses links leva-nos para diferentes tiras de banda desenhada, que por vezes dão-nos as respostas às perguntas feitas, mas na grande maioria acabam de forma ambígua e absurda, deixando o leitor ainda mais confuso do que o que estava antes. A construção das tiras fez-se através da edição digital, onde foram re-coloridas e as caixas de diálogos melhoradas, tudo isto para melhorar as animações em Flash.

Image

      A tensão entre a forma de arte tradicional, que é a banda desenhada, e a sua contemporânea em animação Flash é deliberada. As duas formas são destinadas a contrastar-se uma à outra, mas, ao mesmo tempo, proporcionar uma espécie de equilíbrio estético e teórico que aponte em direcção a uma nova forma, não só de criar, mas também de ler banda desenhada. O futuro da literatura digital já não é mais um futuro, mas sim um presente.

Andreia Filipa Travassos Loureiro