Blacksad é uma novela gráfica espanhola, criada por Juanjo Guarnido e Juan Díaz Canales em 2000, editada pela editora francesa Dargaud. As estórias passam-se na América dos anos 50 povoada por animais antropomóficos. O herói é Blacksad, um gato preto, e que é o típico anti-herói dos filmes de detectives, uma espécie de versão felina do Sam Spade de Humphey Bogart. A estética noir permeia todos os livros, desde as ilustrações à narrativa, onde podemos encontrar todos os lugares-comuns do género – a intriga, a femme fatale e os vilões.
Na cultura pop, temos sempre tendência a ligar o noir genre ao cinema, mais do que a qualquer outro meio. Blacksad é um exemplo de BD interessante porque poderia ser a story board de um filme do género. As vinhetas são desenhadas como se víssemos a acção através da lente de uma câmara – estão presentes os ângulos contrapicados, planos gerais e de conjunto e simulações de planos-sequência – e as ilustrações simulam os jogos de luz e sombra que vemos nos filmes noir.
Quando lemos uma novela gráfica, somos obrigados a criar pontes entre os painéis, a perceber como a acção se desenrolou nas imagens que não vimos, e a ligar o texto àquilo que estamos a ver, em simultâneo. No caso do cinema esses hiatos não acontecem, a imagem move-se e podemos acompanhar a acção no seu próprio tempo. A BD requer uma participação mais activa por parte da nossa imaginação, bem como atenção ao texto. No caso de Blacksad, esta interação é facilitada porque se lê como um filme. A tarefa de “movimentar” as imagens beneficia da linguagem cinematográfica, dá-lhes mais dinâmica e continuidade.

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Scanner de Somewhere within the shadows e snapshot de Key Largo, 1948.

Maria Leonor de Castro Nunes