Ouvimos falar das perdas das marcas de autenticidade garantidas pelas marcas da origem e da inscrição da história na própria obra como efeito causado pela reprodutibilidade técnica da mesma.

Porém, e quando a obra não é reproduzida mas sim produzida devido à um sistema de reprodutibilidade técnica? Ela possui uma aura?

O cinema é uma das artes em que, atualmente, se produz de diversas formas e na maioria de suas vezes com aparatos supertecnológicos e intermidiáticos. Se falamos de uma animação, que tem todo seu processo criado através de programas de computadores, desde as esquetes até a arte-finalização, quando se chega ao produto final a obra não terá a diminuição de sua presença enquanto objeto devido a sua reprodutibilidade mundo afora. Diferente de uma pintura, a obra estará apenas conseguindo mais e mais ascensão. Mas isso nos leva a pensar: esta forma de obra de arte tem aura? 

Tem, desde o momento de sua criação, mas sem uma necessidade de singularidade espacial para transmitir sua essência. Todos verão o objeto final da obra como ele foi designado para ser, exceto por algumas diferenças de qualidade de imagem e dimensão, dependendo de qual dispositivo tecnológico (televisões, telas de cinema, ecrãs de computadores) o espectador usará para ver. Mesmo com isso a obra sempre estará pura, como foi feita para ser apreciada.

Se uma pintura ao ser apreciada virtualmente perde sua aura, existiria o equivalente para uma arte digital? Talvez a pirataria informática consiga fazer isso, tirando não apenas a aura da obra, mas a integralidade de seu autor, desrespeitando as convenções de direito internacional. Contudo isso é outro assunto completamente complicado, os copyrights. Mas ah, a arte digital tem aura sim!

 

Thiago Bueno