Em 1965, a Companhia de Dança Merce Cunningham, apresentava Variations V para uma sessão de gravação de televisão em Hamburgo. Esta obra faz parte de uma serie de experimentações do compositor, musico, coreógrafo e um vanguardista em sua época, John Cage, que com o auxilio de seu parceiro Mercê Cunnigham e amigos deu forma a esta ideia.

Variations V e uma tentativa de sucesso, pois consegue associa os medias e as formas de arte tradicionais, buscando criar algo ainda não criado, que essencialmente pudesse transmuta-se a algo que não havia ainda? Para que isso fosse possível tecnologias precisavam ser construídas e pessoas capazes de realizar este desejo fossem recrutadas, nomes como o de Nam June Paik, Nam June Paik um artista sul-coreano, que é apontado pela descoberta e criação da video-arte juntaram-se a esta iniciativa.

Foi necessárias que as tecnologias existentes nesta época fossem adaptadas e criadas, como um sistema de fotocélulas de Billy Klüver e seus colegas que trabalharam para que este se adequasse as luzes do palco, de modo que a cada vez que o grupo de bailarinos as cortasse com os seus movimentos, estes feixes de luzes, provocassem um som, no palco também havia um segundo sistema utilizado de uma série de antenas de radio, que saiam de sua função normal para outra atividade, aqui também seriam acionadas quando um dançarino estivesse a menos de quatro metros, tudo isto buscando a produção de um som.

Com estes dois sistemas de som que eram afetados pelo movimento dos bailarinos, John Cage e David Tudor administravam os sons em uma grande mesa de mixagem, distribuindo estes sons pelo palco em caixas sonoras, um dos pontos interessantes aqui e o fato de que não havia uma trilha sonora especifica para esta apresentação, ou seja a cada novo movimento uma nova trilha era apresentada.

Os dançarinos, através de um sorteio de coreografias especialmente preparadas para este momento moviam-se no espaço, com alguns movimentos que mais nos pareceriam ações comuns do dia a dia e não dança, como carregar um vaso de plantas ou andar bicicleta calmamente pelo palco. Talvez um dos argumentos da a pesquisadora Erika Fishe-Licht, autora do livro a arte da perfomace possa se aplicar a esta parte, de que a perfomace precisa ser vivenciada pelo expectador e não tem que propriamente transmitir uma mensagem pré-determinadas, mas de criar seus próprios significados, sendo que estes iriam surgindo a medida que se avança evocando nossos sentidos para perceber o todo”.

No palco grandes telas estavam espalhadas ao fundo onde eram projetadas filmagens tanto dos bailarinos como outras aleatórias, estas mixadas como um grande caleidoscópio pelas mãos de Nam June Paik.

Obras como estas são reflexos produtivos da vida de John Cage, assim com uma série de importantes músicos eletrônicos de seu tempo, e pode ser considerado como um dos primeiros meios mistos de obras de performance na história da arte, tem sua importância mostrando a evolução e pesquisa de abordagens aleatórias, em multimídia e na música experimental. Esta assim como outras obras de Cage motivaram criações em varias áreas da arte.

Volney Nazareno