Espiar à vontade 

Em ontologia da imagem fotográfica André Bazim nos fez refletir sobre esta constante produção de imagens do ser humano, uma necessidade que viria desde tempos remotos na historia da humanidade em que ele representava através de traços o ambiente em que vivia. O aparecimento da fotografia não veio só dar oportunidade de se registrar o espaço,  mas também com o passar do tempo de simula-lo e poder vê-lo graças a novas tecnologias.

A fabricação da imagem seria o modo que o ser humano encontrou de tornar-se imortal, preservando o seu “eu”, salvando-o do tempo, diz André Bazin, então porque não pensarmos que isto se refletia no desejo de se representar o espaço real, se desenvolveu habilidades de criar ilusões através da pintura, como a técnica de perspectiva o trompe-l’oeil, mais isto resolveria apenas a questão da profundidade, ainda era necessário que o realismo na pintura alcançasse a dimensão psíquica do ser humano onde seria capaz de dar vida aquilo que era imóvel.

A fotografia resolveria esta questão com a cooperação da ciência e das novas necessidades de expressões artísticas, o que a tornou um objeto de discussões, seria a maquina fotográfica apenas um instrumento técnico que reproduzia apenas de modo mecânico a imagem, ou era capaz de exprimir a sensação artística do indivíduo? Graças a homens como, Eadweard Muybridge, Joseph Nicéphore Niépce e seus experimentos com a fotografia e os irmãos Lumière inventores do cinematógrafo, entre outros que contribuíram com seus avanços na fotografia,  ela  não viria para substituir a arte, mas para abrir novos horizontes no campo da arte.

A fotografia seguindo os caminhos associados a ciência, deu inicio ao cinema, mas e explorado através das tecnologias e os recursos vindos da web que desenvolver-se-ia ao ponto de nos permitir alcançar novos formas de imersão, como exemplo as visitas virtuais que através de tecnologia de foto esférica, que nos permite perceber com precisão vários pontos do ambiente ou de obras, como no Google Art Project, que faz visitas virtuais a museus do mundo em 360º.

Tais tecnologias permitiriam a imersão do usuário possibilitando-o visitar os espaços do outro lado mundo, imagens em alta resolução, além do acesso aos mínimos detalhes por meio do zoom, tecnologias que permitem a interatividade e também meios de se inserir no ambiente virtual, aproximando-se em locais que nosso olhar não poderia alcançar, aplicações para qualquer espaço, especialmente relacionados a arquitetura, arte, turismo e eventos, etc.

Sendo que tudo e possível, então esteja convidado a espiar à vontade.

Volney Nazareno