Variações V surgiu em 1965 para a Companhia de Dança Merce Cunningham. A obra em vídeo com mais de 40 minutos de duração teve a banda sonora criada por John Cage e David Tudor. Se tratava de dois sistemas de captação que eram afetados pelo movimento dos bailarinos. Com o auxilio de outros três compositores — James Tenney, Malcolm Goldstein e Fredric Lieberman — operou dezenas de gravadores e rádios que ofereciam o conteúdo auditivo da produção.

Billy Klüver e seus colegas criaram de um sistema com dez fotocélulas direcionadas as luzes do palco, de modo que o grupo de bailarinos desencadeassem sons quando os feixes de luz fossem cortados com os seus movimentos. Um segundo sistema utilizado de uma série de antenas também seria acionado quando um dançarino estivesse a menos de quatro metros de uma antena, resultando na produção de sons que eram distribuídos em seis caixas acústicas pela sala. O som desenvolvido alimentava um mixer de cinquenta canais criado por Max Mathews, da Bell Laboratories.

As doze antenas de 1,5 metro e os aparelhos dividiam espaço com os dançarinos: Merce Cunningham, Carolyn Brown, Barbara Dilley Lloyd, Sandra Neels, Albert Reid, Peter Saul e Gus Solomons. E para aumentar o estímulo visual e a integração dos medias, filmes com imagens de televisão distorcidas por Nam June Paik eram projetados em uma tela na parte de trás do palco, ao fundo dos bailarinos.

O projeto também foi apresentado no Salão Filarmônica de Nova York, 1965 e um dos principais aspectos que tornam esta obra uma obra multimédia antes da era digital é a constante necessidade de integração e desconstrução do que é corpo, som e imagem. Os movimentos dos bailarinos não eram clássicos, a proposta de som vinha através da dança entre corpo e antena e a projeção ao fundo trazia ainda mais a tecnologia como forma de expressão artística.

John Cage, precursor na pesquisa em abordagens aleatórias, em multimídia e na música experimental, foi com Merce o protagonista deste projeto inovador. A combinação de artes (dança e som, por exemplo), de meios (rádio e projeção, por exemplo) reafirma o desejo perceptível na relação da arte e dos medias, o desejo de totalizar. Ao estimular todos os sentidos do homem e ressignificá-los através da combinação com os meios, Cage e Cunningham trouxeram conceitos inovadores para a sua época e foram precursores de uma era onde arte e meio se confundem num só significado.

Escrito por Caroline Araujo Pinheiro da Costa em 10/05/2013.