Walter Benjamim nos diz em seu ensaio “A Obra de Arte na Época da Possibilidade de sua Reproduçao Técnica” (1935) que “sempre foi possível reproduzir a obra de arte”. Até chegar a fotografia e o cinema, já existiam formas de reprodução e de apreensão da realidade como a xilogravura e a tipografia. Muitos eram os motivos que levavam as pessoas a querer a reprodução de uma obra, fossem esses para exercitar e aperfeiçoar talentos com a pintura ou simplesmente interesses lucrativos.

A reprodução manual, embora se aproxime da original, não será como a reprodução técnica, pois como relata Benjamim a técnica “é mais independente do original do que o manual”, trazendo outros aspectos só acessíveis ao serem captadas pela câmera, porque ao ser reproduzido pela técnica a obra de arte se liberta do domínio da tradição, ganha um alcance das massas e se atualiza no contexto do seu receptor.

Exemplos dessa independência são as visitas virtuais aos museus em vários lugares do mundo, pois embora exista a consciência que não se está no espaço físico real, a visita virtual permite uma apreensão do espaço como ele é com os detalhes e os enquadramentos que a câmera pode captar.

Situação semelhante acontece com o grupo de teatro de São Paulo no Brasil, o Teatro Oficina Uzyna Uzona do diretor José Celso Martinez Corrêa que desde o seu último espetáculo “Acordes”, estreado em novembro de 2012, eles fazem uma transmissão em tempo real da encenação, com várias posicionamentos de câmeras.

Embora o teatro venha buscando formas de aproximação com os públicos mais distantes ou mesmo os que não costumam frequentar o espaço teatral, ainda não podemos dizer que ele pode ser reproduzido tecnicamente, pois mesmo que se filme um espetáculo de teatro, não será mais teatro, será um vídeo, um filme, já que a ação teatral se dá no momento, no aqui e agora, no jogo efêmero entre plateia e atores. Benjamim nos fala sobre a situação da arte do actor em meio à evolução tecnológica, pois no cinema o ator está sujeito a aparelhagem técnica e não tem mais a liberdade que o teatro lhe dá de se movimentar, falar de acordo com seu personagem, ser visto por inteiro, porque no fim das contas no cinema ele está sujeito ao enquadramento da câmera, as edições e outros aparelhos técnicos.

Assim, cada vez mais a reprodução técnica vai ganhando novos espaços e novas formas multimédias de se aperfeiçoar e alcançar cada vez mais um público maior e um novo movimento para a obra de arte no nosso século.

 

Bruno Alves da Silva