Falar de Oskar Fischinger foi uma escolha que nos fez refletir sobre a importância de sua obra na história da arte e multimédia, pois este cineasta e pintor alemão investigou ao longo de sua carreira a animação na criação de um cinema onde formas e música dialogassem ou recriassem novas abstrações.

Ao longo da carreira teve que emigrar para os EUA devido à perseguição nazista. Lá trabalhou para a Paramount e MGM na criação de curtas-metragem. Chegou também a trabalhar nos estúdios da Disney.

Poucas biografias foram feitas para Oskar, porque durante muito tempo foi visto como um artista experimental, no entanto, William Moritz, que estudou sua obra, relata que ele foi o primeiro artista underground da história do cinema.

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Fischinger foi um grande pesquisador e experimentador. Chegou a fazer nos anos 20 muitos concertos multimédias ao vivo com projeções de imagens, parte que compõe sua grande marca no uso que fazia da música em suas composições cinematográficas, pois é são através delas que ganha força a expressão música visual.

Em um determinando momento quando estava trabalhando em Hollywood começou a atrair a atenção de jovens artistas que queriam se aproximar e compartilhar com ele experiências e aprendizados. Em 1937 entre esses jovens estava o John Cage que iria trabalhar a construção de uma música para o filme de Fischinger. Cage reconheceu mais adiante que foi graças a esse encontro e as observações de Fischinger que voltou o seu olhar e os seus ouvidos na busca por outras formas sonoras que viessem das coisas, da natureza, da vida e do silêncio.

Nossa equipa buscou então trazer como exemplo  o filme Kreise ( Circles) de 1933-1934 para apresentar essa sua busca na experimentação das formas geométricas, das cores, dos movimentos e também da música.

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Em uma busca virtual no Center for Visual Music encontramos uma descrição do que foi usado para compor o filme quando descrevem que:

“usou o processo GasparColor, que Fischinger ajudou a perfeita. O filme foi subsidiado pela Agência de Publicidade Tolirag …. A seção de abertura do filme, sincronizada com o Wagner “Venusberg Ballet” da ópera Tannhauser , foi criado com desenhos em preto-e-branco em papel branco. Estes foram impressas em cores usando as imagens positivas e negativas como mestres diferentes cores, desde Gasparcolor tem três emulsões diferentes, um vermelho, um amarelo e um azul. Os fundos foram preenchidos com vórtices circulares emprestados de Espirais de meados da década de 1920 de Fischinger. Quando duas imagens de cores diferentes se sobrepõem, elas criam uma terceira cor óptica ou branco – uma espécie de camadas de cores que Fischinger usado mais tarde em suas pinturas a óleo.A última parte do filme … Foi pintado com cartaz-cores sobre papel branco, as cores foram invertidas para o negativo mudando a cor-filtros através dos quais os desenhos foram fotografados e impressos. ( William Moritz , encarte para Desbravadores Visual laserdisc, Supervisor Editorial, Cecile Starr).”

A obra de Oskar Fischinger foi uma das precursoras do que entendemos por cinema de animação na contemporaneidade, sendo assim fica esse nosso registro da importância de seu trabalho nas abstrações, na música visual e na história do cinema do mundo.

Link de parte vídeo:

http://vimeo.com/55181698

Referências:

http://www.centerforvisualmusic.org/Fischinger/CVMFilmNotes2.htm

http://www.oskarfischinger.org/

SALLES, Filipe. Música Visual: Um Estudo Sobre as Afinidades entre o Som e a Imagem, baseado no filme Fantasia de 1940, Walt Disney. PUC-SP: Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica, 2002.

Equipa:

Bruno Alves da Silva

Érica Patrícia Ferreira de Sousa

Iêda Falcão