Como no desejo multimédia na literatura com a invenção das técnicas do monólogo interior e da corrente de consciência o teatro também teve suas mudanças. Após a Segunda Guerra Mundial surge o Teatro do Absurdo, expressão criada pelo crítico Martin Esslin para descrever a atmosfera de desolação, solidão e incomunicabilidade do homem moderno por meio de alguns traços estilísticos e temas que divergem radicalmente da dramaturgia tradicional realista.

Como seu nome diz, o Teatro do Absurdo revela o inesperado, aquilo que não é considerado tradicional ou cotidiano, mostrando as infelicidades humanas e tudo aquilo que é considerado normal pela sociedade hipócrita da época.

Essa nova forma de teatro apenas revela o realismo presente, mas como se tal realismo fosse irreal. Com ironias do começo ao fim, acentuando os problemas dos personagens, sejam suas loucuras, suas neuroses. Como se fosse um espelho para o homem que por sua realidade se tornou um sofredor, psicótico que vai ao seu limite de consequências, findando sempre na revolução, na crise em que se encontra e na desgraça que tudo se tornará. Veementemente existencialista, o Absurdo critica a falta de criatividade do homem, que condiciona toda a sua vida àquilo que julga ser o mais fácil e menos perigoso, se negando a ousar, utilizando-se de desculpas para justificar tudo o que dá errado.

O Absurdo usa de todas essas ferramentas e de elementos conhecidos do dia-a-dia, ou qualquer coisa sem sentido para criar outros universos, estranhos universos, porém que se assemelham ao universo cotidiano. Um exemplo disso é apresentado por Samuel Beckett quando relata a interminável espera dos dois vagabundos, ansiosos que estão em uma terra onde nada acontece de novo e tudo se repete incansavelmente, fazendo com que as personagens forcem ilusão às suas tristezas e frustrações em “Esperando Godot”. Assim, vemos o desejo teatral de mostrar o real numa forma irrealista, absurda.

 

Thiago Bueno