A visita virtual a museus permite alargar de certa forma o número de visitantes e dar acesso à cultura para um público mais distante. Assim, quem se encontra longe ou sem possibilidades, também tem direito a extasiar-se perante as artes mais deslumbrantes do mundo. A tecnologia funde-se na arte para o agrado de todos, mas será que uma visita virtual é a mesma coisa que uma visita real, onde o nosso olhar quase toca as obras? Levanta-se ai a questão do real ser trocado pelo virtual, e mostra o poder cada vez mais invasivo dos medias nas nossas vidas. Os medias, as tecnologias são uma pratica evolução, mas será que ao deixar a tecnologia entrar demais nas nossas vidas, não nos arriscamos demais a ficar “robotizados” e a ter tendência para trocar tudo o que se faz realmente com o nosso corpo? Como andar, fazer desporto, ir as compras, neste caso ir a museus etc. A tecnologia começa sempre por nos aliciar com a promessa que a nossa vida se tornara mais simples, mais rápida, mais pratica, enfim…tudo mais eficaz, mas muita gente acaba por distorcer essas qualidades que a tecnologia nos oferece, e usa-a por preguiça de fazer coisas que sempre fizemos com as nossas próprias mãos. Desta forma, acabamos por ter tendência a deixar a tecnologia fazer quase tudo no nosso lugar e muitas vezes por preguiça. O “Art Project” proposto pela Google é como todo artefacto tecnológico inovador, uma verdadeira tentação e iniciativa muito construtiva para todos. Apenas me questiono, ao ritmo que os medias evoluem e “comem” as nossas vidas, como é que será o futuro rodeado de todas essas tecnologias muito boas mas muito viciantes? Tudo será muito pratico e muito instrutivo mas numa visão mais dramática, ninguém se mexe, tudo trabalha em casa por e-mails, cumprimenta os amigos no facebook, visita os pais por Skype, faz as compras online, enriquece a sua cultura sentado visitando museus por computador. Visita virtual? Sim, mas visita ao vivo também, pois nem toda a essência duma obra se transmite por computador.

Luiza Fernandes.