Assim como houve o desejo fotográfico na pintura e o desejo cinematográfico na fotografia, houve o desejo midiático no teatro. A relação entre corpo e espaço hoje é instantânea, e quem não se deixa alterar acaba vivendo isolado. A tecnologia midiática vem sendo usada no teatro através dos tempos, usando seus adereços cênicos para comunicar ao espectador, criar uma ilusão. Segundo Lehmann:

“ Praticamente desde o início, o teatro oferecia maquinaria cênica, truques e luzes e bastidores, transformações mágicas. A tecnologia da construção de imagens em perspectiva e os efeitos de luz desempenharam um grande papel na tradição do teatro.”

Os aparatos cênicos foram se desenvolvendo com o decorrer dos anos, utilizando-se de velas, luzes, sons, cada vez mais se incorporando ao teatro. Em Lehmann encontramos citações sobre a obra de Erwin Piscator, que em 1920 já utilizava fotografias, projeções, aparelhos de som e cinema em suas montagens.

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Cena de Hoppla Wir Leben, dirigida por Erwin Piscator. Berlim, 1927

 

 

 

O desejo da inclusão de novos meios de comunicação no teatro se vê cada vez mais presente, seja para comunicar algo que é apenas possível pelos médias, para mudar sua estética ou simplesmente para ressaltar acontecimentos da cena tradicional, essas novas linguagens são chamadas de intermídias. Patrice Parvis utiliza o conceito de itermidialidade de Jürgen E. Müller, acrescentando:

“A intermidialidade não significa nem uma adição de diferentes conceitos de mídia nem a ação de colocar entre as mídias obras isoladas, mas uma integração dos conceitos estéticos das diferentes mídias em um novo contexto.”

A partir do século XX a cenografia deixou de ser apenas uma imagem ilustrativa, começou a dialogar com o espetáculo e com os atores, fazendo parte da interação dos mesmos. De acordo com Lehmann, o que antes era imagem de texto torna-se prática multimidiática e intermidiática. O teatro hoje adota todos os tipos de mídias, introduz na sua própria essência outras formas de arte, senão todas elas.

Um exemplo da relação entre os médias e as artes, especificamente o teatro, é o artista performático australiano Stelarc (Stelios Arkadiou), que considera que o corpo humano tem de se adaptar às avançadas estruturas de informação do computador, sendo assim, em uma de suas performances instalou uma terceira mão em seu braço, a qual é movida por contrações musculares traduzidas eletricamente de seu abdome e de suas pernas, desta forma transcendendo essa relação para o seu próprio corpo, tranformando-o num dispositivo de relação entre corpo, arte e média.

 

Thiago Bueno

Referências:

Lehmann, Hans-Thies. Teatro pós-dramático. São Paulo: Cosac Naify, 2007

Pavis, Patrice. A análise dos espetáculos: teatro, mímica, dança, dança-teatro, cinema. São Paulo: Perspectiva, 2005