A Maison Carrée foi construída em 16 a. C. em Nîmes, no sul de França. Entre 2008 e 2010 passou por um período de restauro que foi celebrado com um espectáculo de projecção que podemos ver neste vídeo.

LA MAISON CARREE from Cosmo AV on Vimeo.

Através da projecção de imagens, podemos acompanhar a evolução do edifício ao longo dos tempos e os seus vários fins: começou por ser um edifício dedicado a Gaius Cesar e Lucius Cesar e, desde então foi, entre outros usos, uma igreja, um estábulo e um museu.

Este vídeo remete-nos para o artigo de Bernad Frischer que discutimos em aula, em que o autor fala na forma como a tecnologia auxilia as ciências humanísticas a preservar, reconstruir e interpretar os registos do Homem. Ora, é mais ou menos isso que aqui foi feito. Ao serem projectadas imagens reminiscentes dos usos de outrora do edifício, volta-se a construir a sua história e estórias, mediadas pela tecnologia. Podemos acompanhar o seu processo de construção, ver os blocos de pedra a serem assentados e os azulejos a criarem os padrões na parede. Depois vemos a sua transformação em igreja cristã, bem como os traços da ocupação visigoda. Mais à frente a projecção mostra-nos a sua utilização como arquivo municipal e museu de Belas-Artes. Entramos então no séc. XX, onde mais do que a história do edifício, podemos ver parte da história de uma nação, com a referência ao Maio de ’68. É também curioso como os responsáveis pelo projecto a parecem estender para o futuro, com a projecção dos jactos e explosões de cor azulada, que lhe dão um um certo ar de nave espacial.

A Maison Carrée é assim objecto de uma revisitação histórica e utilitária, sendo actualizada enquanto estrutura e obra de arte. Ao vermos a história do edifício, acabamos também por ver um pouco da construção de um país e das suas mudanças políticas e sociais.
Este tipo de tecnologia parece então servir e complementar a arte e as humanidades. Cria uma espécie de paradoxo em que os media digitais e a sua conotação futurística aproximam o homem do seu passado e o ajudam a rever e perceber a sua identidade. Recorrendo a este tipo de projecções, a visualização da História, que antes do surgimento destas tecnologias era uma tarefa abstracta e que recorria muito à imaginação, é facilitada. O passado do edifício materializa-se à nossa frente, naquilo que poderá ser, pelo menos até ver, a coisa que mais se assemelha a uma viagem no tempo.

FRISCHER, Bernard (2009). “Art and Science in the Age of Digital Reproduction: From Mimetic Representation to Interactive Virtual Reality” in Proceedings of the I Congreso Internacional de Arqueología e Informática Gráfica, Patrimonio e Innovación, Sevilla.

 

Maria Leonor de Castro Nunes