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A meados dos anos 60, Marshall McLuhan afirmava que os média eram os pontos intersectores entre a tecnologia e o corpo humano. Por sua vez, no ano de 2010, Friedrich Kittler defendeu que o sujeito dos média eram os próprios média, onde as inovações tecnológicas respondem apenas umas às outras e têm um grande impacto sobre os órgãos dos sentidos. Os média acabaram mesmo por se tornarem modelos privilegiados do ser humano, utilizados para substituírem as sensações e os sentidos que até à altura apenas poderiam ser proporcionados por coisas físicas.

A representação do real apenas era conseguida através da pintura, onde um pintor representava o objecto que via da maneira que o via, mantendo-se o mais fiel possível às suas características. Durante décadas funcionou tudo na perfeição, até se tornar numa obsessão para os pintores a criação da ilusão através da pintura, surgindo assim uma enorme necessidade de criar uma nova técnica que não a pintura para criar representações.

Surgiu então a fotografia, uma técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixando-as numa superfície sensível. A primeira fotografia conhecida é de 1826, com a autoria de Joseph Niépce, intitulada de “View from the Window at Le Gras”.

ImageView from the Window at Le Gras, Joseph Nicéphore Niépce, 1826

      A fotografia não se trata de uma obra final de apenas um criador, foram várias as pessoas que contribuíram ao longo dos tempos para o seu nascimento e para a sua evolução. Foram vários os conceitos e os instrumentos que levaram ao seu desenvolvimento, sendo o mais antigo a câmara escura, que consistia numa caixa com um buraco no canto por onde a luz externa passa, atingindo uma superfície interna onde é reproduzida a imagem invertida. Chegou a ser utilizada por vários pintores, como Leonardo da Vinci, que a usou durante o século XVI para esboçar pinturas.

      A fotografia veio então revolucionar a representação do real e das suas formas, mas não se ficou por aí. Quanto mais as técnicas se aperfeiçoavam, mais os artistas queriam ir mais além numa procura pela captação do real. Uma simples captação de uma imagem já era pouco para eles, queriam captar mais do que isso, mais do que uma informação visual estática.

     No final do século XIX surgiu uma invenção que atendia aos desejos actuais dos artistas: o cinematógrafo. Inventado pelos irmãos Lumière, este aparelho permitia registar uma série de instantes fixos, em fotogramas, criando a ilusão de movimento, que durante um certo tempo ocorria diante de uma lente fotográfica, e depois reproduzia-se esse movimento projectando as imagens animadas sobre uma tela. Agora era possível representar o real não só numa coisa estática, mas, mais do que isso, era possível representar o real no seu exacto tempo real, com movimentos, e com os acontecimentos a sucederem-se aos nossos olhos.

      Até aos dias de hoje, muitas técnicas e muitos instrumentos se foram e têm vindo a desenvolver para que cada vez mais seja fácil captar o real da forma mais perceptível possível ao espectador, sendo-nos impossível imaginar uma vida sem representações.

 Andreia Filipa Travassos Loureiro