Depois de na pintura existir um desejo fotográfico, em que a vontade era de mostrar a realidade tal como ela era num certo momento do tempo. Havia uma vontade de congelar um momento. Contudo, não se chegava à realidade das coisas. Os pintores mesmo que fossem muito virtuosos e que as suas obras fossem bastante realistas, não conseguiam o nível de realidade que a fotografia iria trazer.

Quando a fotografia se torna uma realidade, apodera-se do homem um novo desejo a ser aplicado na fotografia: o desejo fotográfico nesta.

No cinema, o mundo do movimento pode ser capturado. Nele há a presença da passagem do tempo. Dá-se uma imersão sensorial nesta representação artística.

Mas antes de se chegar ao cinema, trouxeram-se através da fotografia os princípios do cinema.

Com a fotografia, quis-se introduzir a ilusão do movimento. Torná-las o mais próximas possível do real.

Eadweard Muybridge no seu projeto entitulado: “Animal locomotion: An electro-photographic investigation of consecutive phases of animal movements”, decompôs o tempo da fotografia numa foto-sequência em que analisa de forma minuciosa as particularidades de certos movimentos.

Através do zoopraxinoscópio, que colocado em rotação dava a ilusão de movimento, fez uso de várias fotografias em sequência, dando a ilusão de movimento, bastante aproximada ao que o cinema veio trazer à vida em pleno.

Muybridge provocava com isto, uma distorção da percepção. Ilude quem está a ver a acreditar naquele movimento. Aproximou-se da reprodução de imagens que só o cinema consegue transmitir de modo mais fidedigno e mais próximo do real, suscitando assim no espectador a impressão do movimento.

Trouxe uma nova maneira de ver o mundo: o mundo do movimento.

Sílvia Micaelo