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Assim como houve a evolução na pintura e em outras artes a palavra escrita também buscou seu caminho, tornando-se um ser autônomo de quem a julgava possuí-la, o escritor, abrindo oportunidade para ser percebida em sua própia natureza. Seria concebível pensar que este deslocamento em que ela sutilmente faz ao leitor, transportando-o através de pensamentos prazerosos, seria o desejo da própia escrita de se tornar real?

De acordo com a história da humanidade, as figuras vieram muito antes antecedendo a escrita, o que vimos em desenhos e pinturas nas cavernas enfatizavam a representação pictórica, enquanto outros muito mais icônicos se pareciam com uma linguagem primitiva, o certo e que a escrita movia-se evoluindo, afastando-se aos poucos da sua representação figurativa.

Com o surgimento dos mecanismos da imprensa, a escrita agora dá um grande salto, uma evolução junto às artes e a humanidade. Separada da representação começa a se tornar cada vez mais elaborada e abstrata, enquanto a pintura passava se desenvolver em uma direção oposta à escrita, agora mais como símbolos sendo representacional e especifica.  No inicio de 1800, as duas texto e arte se afastam, uma obcecada pela semelhança, luz e cor, por tudo que fosse visível à outra rica em tesouros invisíveis.

Começa uma busca da escrita pelos sentidos, emoções, espiritualidade e filosofia.  O trabalho de dadaístas, futuristas, e demais artistas isolados da era moderna vem romper fronteiras entre aparência e significado.

James Joyce saberia bem aproveitar e fazer uso do potencial da escrita, cada um com seu estilo literário fez com que seus textos não fossem considerados apenas um mero produto, pois com seu romance Ulisses, utiliza-se do fluxo de consciência, técnica em que se é possível conhecer-se o ponto de vista de um personagem, desde seus processos mentais a suas concepções de realidade e desejos, tudo o que se possa referir a lembranças e a situações que estejam presentes na narrativa, etc.

Assim como Virgínia Wolf que se utiliza do monologo interior, na construção de suas personagens, como no conto Felicidade em que o narrador procura expor questões de cunho introspectivo, para viabilizar uma tomada de consciência, podendo ser narrado diretamente, em primeira ou terceira pessoa.

Esta profundidade e a amplitude destas técnicas fazem com que o sensorial do leitor possa emergir ao mundo dos personagens, e através do sensorial da vazão ao desejo da literatura de tornar-se real, pois faz com que o homem reconheça-se na obra como num espelho.

Volney Nazareno

Fontes:

http://www.ienh.com.br/download/ATIVIDADES_ALFABETO/livro/livro/texto_historia.htm

http://monografias.brasilescola.com/educacao/leitura-espontanea-prazerosa-uma-conquista.htm

http://www.mackenzie.br/fileadmin/Pos_Graduacao/Mestrado/Letras/Volume_10/Artigo_Marina.pdf

http://descrevendovirginiawoolf.blogspot.pt/2011/06/felicidade.html