Pintura da realidade

A expansão das fronteiras entre fotografia e pintura foi determinada no impressionismo. As duas se apoiaram na imagem captada no momento, na luz; ligam-se a uma importância conceitual.
Entre o século XV e XIX se desenvolveu a problemática da noção de autoria e de arte.
Os limites entre essas duas noções se afrouxaram. É difícil generalizações, mas tudo passou a ser arte, até a fotografia; o fotógrafo que antes era só um espectador da imagem instantânea passou a ser autor, criador, apropriador, ladrão, se quisermos dizer assim; criar passou a ser roubar, copiar, reciclar.
As novas noções de artista e de arte constituíram o destino da pintura, da fotografia.

Detenhamo-nos na intensificação desses dois meios, na pintura da realidade.

Em Still Life, a fruta se converte em natureza morta, a hipótese da artista é a passagem do tempo, a imortalidade das coisas.
Este é um exemplo para quem e além da pintura e da fotografia, a superfície da tela da pintura, o tempo passado desaparecem, a artista capta os estágios da fruta, artista do Futuro?
“Quem será o artista do futuro?” (Richard Wagner, p. 196)
Para Richard Wagner é aquele que alia todas as modalidades artísticas. Para mim é aquele que trabalha não no limite das práticas artísticas, mas no limite das artes e dos meios.
Os artistas que trabalham nesse limite problematizam o para quem e para além, esconjuram dois mitos, o mito das artes unificadas e das singularidades.
O ponto de vista de Wagner é portador dessa problematização.
“Não haverá uma capacidade ricamente desenvolvida das artes singulares que fique não utilizada na obra de arte total do futuro.” (Richard Wagner, p. 186)
Este trecho introduz a integração entre os meios artísticos, mas não entre estes e os meios técnicos. (fotografia, cinema, fonografia). É necessário considerar os dois meios.
A expansão da fronteira entre as artes e os médias é decisiva na organização da apreciação sensorial; a fotografia aumenta a realidade, a capacidade de ver, para o tempo, o cinema utiliza o tempo, intensifica a capacidade de estar, a fonografia a capacidade de ouvir.
Nesse sentido todos os médias alteram a nossa experiência do tempo (aquém e além).
Hoje a pintura da realidade é permanentemente renovada, trabalha nos dois sentidos: mortalidade, imortalidade; aquém, além.