O modernismo, que encontra por base o clássico, envelheceu, a pintura rendeu-se a fotografia, regeu-se pelo princípio da necessidade exterior, ou seja, pelo princípio da inscrição física do real.

Os pintores empenharam-se na fusão entre a prática artística e a prática tecnológica.

Costuma-se dizer que a fusão, o transporte da fotografia para a pintura foi um consolo perante a nossa mortalidade.

Mas nem o transporte da fotografia para a pintura resolveu o problema da representação, resolveu o problema da sua objetividade, mas não do movimento.

A nova pintura é quem anuncia a solução para o problema do movimento, o vídeo é quem resolve.

O objetivo desta nova pintura não era a representação objetiva da realidade, mas a recriação desta mesma realidade.

Esta recriação, mudança da representação, está situada perante o surgimento da fotografia e do cubismo.

O quadro de Picasso Les Demoiselles D´Avignon é um quadro de transição para o cubismo; é uma referência a um prostíbulo da rua Avinyó de Barcelona.

“Cinco figuras nuas femininas dispostas segundo uma linha diagonal que se inicia na mão levantada da esquerda e termina no corpo de cócoras, em baixo à direita. Na pintura reconhecem-se três zonas verticais, que correspondem à mulher em pé à esquerda, às duas mulheres viradas para a frente e às duas à direita.” (Stefano Loria, p.26)

Pela natureza do quadro diz-se, com toda razão, que ele é uma resposta ao problema da representação da realidade, pois as figuras são apresentadas como formas geométricas distorcidas, planas e não há uma continuidade entre estas e o fundo. A destruição do fundo permitiu que os artistas dessem mais de si na pintura e atendessem a sensação que a realidade dar.

Pode-se descobrir no quadro de Picasso, não duas formas de inscrições diferentes, mas um exemplo de uma inscrição a partir de outra inscrição, isto é, a sensação a partir do real.

Em Pieta, de Samantha Taylor Wood, artista britânica que trabalha com a fotografia, arte conceitual, cinema, pode-se conferir duas formas de inscrições: inscrição da imagem viva, a inscrição do vídeo.

Essa inscrição da imagem viva remete para a Pieta de Michelangelo, para a Virgem Maria segurando o corpo de Jesus após a crucificação, as diferenças nessa Pieta são: tema, utilização do tempo.

Em linhas gerais refere-se a morte (ser acompanhado na morte); no que respeita ao homem que substitui Cristo, é um ator, tem fãs que acompanham cada passo da sua vida, a mulher é própria artista, está no plano da Virgem Maria.

O que é importante ver aqui é a forma de se relacionar com o tempo; a imagem é quase estática, o som off, o fundo deslocado da Pieta de Michelangelo.

Cada um pode olhar o fundo como quiser, estão todos de acordo para dizer que o corpo, não o espaço, é o ponto de partida e regresso; o fundo, não é menos verdade, é um Pano de Fundo.