Etiquetas

, ,

      A beleza das coisas é absorvida pelos nossos sentidos. Cada sentido transmite-nos uma dada sensação, ideia, ou percepção. Raramente funcionam como um só, estando constantemente fundidos uns com os outros, amplificando assim as sensações experimentadas pelos seres vivos.

      A visão e a audição são dois dos sentidos que mantêm uma maior relação entre eles, não só uma relação de complementaridade, mas também de oposição. É certo que podemos simplesmente ouvir e imaginar o que poderíamos ver, ou então apenas ver e imaginar qual o som poderíamos ouvir. Mas no ser humano foi logo desde muito cedo estabelecida uma associação entre o som e a imagem, através do contacto com o meio exterior e pela aprendizagem natural.

      No poema “Se eu pudesse trincar a terra toda”, de Alberto Caeiro, é abordada a ideia de que os sentidos são uma forma de percepção, uma percepção intensificada que não passa pelo pensamento “Sentir como quem olha,/ Pensar como quem anda”. Há nas suas palavras um desejo de participar em algo artístico onde os sentidos se encontrem submersos, um “querer sentir tudo de todas as maneiras”. 

      Na prática, podemos comprovar tudo isto através da visualização dos três vídeos publicitário dos LCD’s Sony Bravia, de Jonathan Glazer. Cada um dos vídeos faz-nos reflectir sobre vários aspectos diferentes: o primeiro e o segundo, com o anúncio, fazem-nos pensar na relação do som com a imagem, enquanto que o terceiro, do making off, clarifica-nos sobre a veracidade deste vídeo – o nosso cérebro, já bastante treinado, acostumado com filmes cheios de efeitos especiais, fica confuso, questionando-se se aquilo que vemos nos vídeos publicitários se realizou mesmo, ou se foi realizado apenas virtualmente. De facto, todas aquelas explosões de tinta aconteceram.

      Esta publicidade baseia-se na apresentação de uma televisão, e procura sublinhar a intensidade das cores, o seu ponto forte – colour like no other. No vídeo em que o som é apenas o que foi captado com as explosões das cores, um som inscrito e vibrante, o espectador não chega a ficar tão sensibilizado com a ideia que a publicidade quer transmitir. O som que se ouve pode mesmo ser considerado agressivo, e despertar uma menor atenção. Já o vídeo com a montagem do som, com uma música sobreposta à imagem e ao som das explosões é de uma delicadeza maior. A forma como a música encaixa perfeitamente na imagem torna aquele minuto num momento bastante agradável para o espectador, activando os seus sentidos de uma maneira emocionalmente mais forte, cumprindo assim melhor e mais facilmente o seu objectivo publicitário. Consegue-se transmitir uma mensagem sem haver diálogo, apenas através da relação da imagem com o som. Pode-se considerar então que, nas obras de arte do futuro, o som e a imagem não funcionam um sem o outro, pois é a sua perfeita sincronia que capta a atenção, que passa uma mensagem e que marca o espectador.

Andreia Filipa Travassos Loureiro