A tecnologia, fruto da engenharia humana, tomou proporções que mais nem o homem pode controlar. O autor Frederich Kittler, no livro Optical Media (2010), considera que vivemos em dois regimes que nós mesmos criamos: o tecnológico e o artístico. O primeiro, considera  a fotografia, a fonografia, o cinema, a televisão, o computador, etc e o segundo regime abarca a arte tradicional como pintura, escultura, arquitetura, música, dança, literatura e teatro.

O discurso sobre a soberania dos aparatos automáticos e a relação com os sentidos e expressões do corpo não são exclusividade de Kittler. O próprio médico e pesquisador Antonio Damásio, em um dos vídeos explicativos sobre sua teoria da consciência, diz que ‘Somos máquinas de sentimentos que pensam’. Além dele, vários teóricos como, por exemplo, Marshall McLuhan (com o livro “Os meios de comunicação como extensões do homem’’) e Trevor Lamb (com o conceito de ‘olhos câmera’ no livro “Evolution Of The Eye”) já dissertaram sobre o assunto.

Kittler pessupões varias teorias que baseiam sua ideia, mas todas estão fundadas nos princípios de inscrição simbólica e de inscrição física do real. A arte seria uma forma de inscrição simbólica pois é a relação direta do autor com a obra, considerando suas subjetividades e resultando num conjunto de convenções codificadas que darão sentido ao projeto. Os média, por sua vez, seriam o exemplo de inscrição física do real. Sem subjetividade na hora da captação e reprodução e com a constante mediação de um aparelho automático, o som ou imagem captados são reproduzidos de maneira fiel.

Apesar da arte e dos média se comunicarem de maneiras diferentes, atualmente eles falam a mesma língua. E, se não falam, o ser humano improvisa maneiras de interagirem. Um exemplo disso dá-se ainda na época renascentista onde pintores como Pietro Perugino (1481-82), Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) e Johannes Vermeer (1632-1675) se valiam de jogos entre luz, cor, profundidade, enquadramento, e do auxílio da camara escura para obter obras que passassem a ideia do instante, ou seja, da fotografia.

E se os média são extensões dos órgãos sensoriais humanos e a arte é a forma de expressão do homem, a combinação dos regimes é a experiência real do cotidiano. Média e arte combinados são a vida humana em sua totalidade, por isso viver em uma lógica de regimes (Kittler, 2010), que o próprio homem criou faz tanto sentido.

Texto escrito por Caroline Araujo Pinheiro da Costa em 05/03/13