Acompanhando os avanços obtidos nas pesquisas que envolvem os mistérios do corpo humano ressaltamos algumas que se fazem relevantes neste contexto. Percebemos que as informações sensoriais obtidas através do corpo físico são captadas e levadas ao cérebro e lá fazem as devidas conexões com nossa mente e por consequência com nossa consciência. A consciência neste caso é o lugar onde ficam figurativamente armazenados nossos conceitos e pré-conceitos, que por sua vez foram levados até lá pelos sentidos. Os conceitos são aprendidos e reaprendidos durante nossas vidas servindo para avançarmos em conhecimentos de ordem emocional e intelectual. Ou seja, tudo que vemos, ouvimos, sentimos é uma forma mediada pelo corpo para nosso conhecimento do mundo, nos dando assim uma maneira particular de senti-lo, vivencia-lo. Vale ressaltar no entanto o processo sinestésico que se dá nas mais variadas formas.

Sinestesia é a transferência de uma sensação sugerida por um sentido para outro, provocando um processo de imersão sensorial. O processo imersivo provocado pelo aguçamento dos sentidos é maximizado quando somos expostos à planos sensoriais diferentes trabalhados em conjunto por exemplo, quando temos imagem e som ao mesmo tempo. Informações essas usadas com maestria pela publicidade. As cores nas propagandas são utilizadas para produção de efeitos na mente, principalmente na inconsciente. Ativam determinadas partes do cérebro onde estimulam os sentidos nos induzindo assim, a comportamento consumista. No nosso objeto de análise, a música e a sequência de imagens proporcionam literalmente uma sensação de mergulho estabelecendo um espaço inter-relacional entre o ecrã e o espectador. Os estímulos provocados pela explosão de cores nos deixam em alerta segurando nossa atenção. A composição musical clássica é agradável aos ouvidos, não é entediante ao ponto de nos deixar em estado completamente alienado ou sonolento. Há um suposto equilíbrio proporcionado pela sincronia que ao mesmo tempo que equilibra desestabiliza, transcendendo o ecrã. E quando acaba precisamos ainda de alguns segundos para que essa apreciação estética proporcionada pela propaganda se finalize por completo.

       A propaganda primeiro estabelece uma relação que nos leva a experiência estética, normalmente proporcionada pela arte, não que não exista experiência  estética fora das artes, e logo em seguida quando ainda estamos nos restabelecendo, voltando à suposta consciência ela entra com o slogan. É perfeito! Chega ao espectador/consumidor, num momento de encantamento, de emoção. Claro que a publicidade oferece estímulos visando um certo tipo de comportamento, mas não podemos deixar de reconhecer que nessa propaganda há imensa semelhança na forma como as artes se comunicam. Essa comunicação emotiva característica das várias formas de arte é talvez a confirmação e um bom exemplo de arte multimédia.

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