Pensar a publicidade Bravia é pensar a relação que se estabelece entre som e imagem no mundo dos meios audiovisuais. Um e outro são indissociáveis – basta pensarmos nos primórdios do cinema, onde as exibições de filmes mudos costumavam ser acompanhados por um pianista ou orquestra, ou mesmo por pessoas que liam as deixas. Na tentativa de imitar a vida, o cinema – a imagem animada – não se pode limitar a deleitar-nos os olhos.

É isto que vemos nos vídeos da publicidade da Sony Bravia, uma televisão que promete colour like no other. Ora, o que a publicidade faz é apelar não só à nossa visão mas também à nossa audição. A sincronização entre as explosões de cor e a música de Rossini é grandiosa. O filme pode ser visto de três formas, e todas têm efeitos diferentes na percepção do que nos é apresentado. Se retirarmos o som, somos deparados com imagens impressionantes, é verdade, mas que não têm ainda a capacidade mágica da imersão. Visto com o som intradiegético, o filme tem mais impacto – há uma sincronização verosímil entre o que é visto e o que é ouvido. Mas é com a presença da música The Thieving Magpie que o filme se transforma e é criada a ilusão. Curiosamente, é tão ou mais “real” que as imagens acompanhadas pelo som das explosões. A imagem concretiza-se numa fantasia de cor, som e movimento.

O som é crucial para a recepção do vídeo. Com as outras experiências feitas na aula (o mesmo vídeo com diferentes músicas), pudemos ver como as imagens passam de enérgicas para melancólicas apenas com a mudança da música que as acompanha. O processo de sinestesia ficou bem explícito com as várias visualizações – os sentidos não se podem isolar, funcionando em conjunto para nos dar uma ideia daquilo que percepcionamos do mundo exterior. Os ouvidos ouvem e, no caso da publicidade de Jonathan Glazer, também vêm.

Maria Leonor Castro Nunes