A evolução da tecnologia e, consequentemente, dos media, contribuem para o desenvolvimento do cérebro que reage constantemente àquilo que nos rodeia.

No anúncio da Sony Bravia, tomemos por exemplo, esta ideia é clara na medida em que no vídeo original, se ouvem apenas os jactos temporizados, um som sujo e abstracto e é por isso que quase automaticamente nos leva a pensar que lhe falta algo. No exercício final, a música vem concordar com as explosões de cor no contra ponto e melodia. Há uma imersão no vídeo, que torna a cor mais forte, as explosões mais harmoniosas e o anúncio mais atractivo. Ao longo do espectáculo de som e cor conjugados, a expectativa emerge ao esperarmos uma sincronização perfeita.

            A realidade da experiência oferece um maior impacto, ao sabermos que todo o processo de construção é manual e que, no local, está alguém a coordenar estas explosões. A música, que por si só é um clássico, de uma textura leve e aprazível conduz-nos para um baile de cores, quase como se fossem estas a transmitir o sonoro.

            Contrariamente a este, está o Touch Wood, uma instalação, também ela manual, inserida no meio natural, mas onde o som é todo ele reproduzido através do processo que a bola produz ao embater repetidamente em blocos de madeira. A banda sonora que complementa este vídeo é real e natural – o vento, a chuva, os animais. O processo minucioso que foi criar um percurso que produzisse um determinado som, contribui para o impacto que temos ao visualizar a precisão de cada nota.

            Um dos exemplos mais reconhecidos no que toca à relação entre som e imagem é o Vjing, onde a música soa e a esta aliam-se as imagens ou filmes que passam de maneira a completar e assimilar a o som mais profundamente.

O nosso olhar é conduzido para um sítio onde exista som, e ao “vermos com os ouvidos” desenvolvemos estes sentidos.

 

Ana Gonçalves