Decidi fechar a minha participação no blog falando sobre um dos assuntos que mais me chamaram a atenção no decorrer das aulas: a presença do multimédia fora dos novos media.  

Achei o conceito bastante interessante porque, talvez por estarmos formatados para pensar o conceito de multimédia dependente do computador, não é fácil fazer uma associação do termo à pintura por exemplo. Podemos no entanto afirmar que alguns enquadramentos fotográficos são apropriações da pintura, o que lhes atribui o rótulo multimédia, mas o contrário também se passa. Há uma grande e notável diferença entre as pinturas equestres pré e pós fotografia. Esta deve-se à incapacidade humana de decompor o movimento sem auxílio mecânico, o que fazia com que as representações mostrassem a visão do pintor, a forma como este imaginava a realidade.

Embora nos pareçam bastante estranhas estas representações pré fotográficas, para a época eram completamente aceitáveis, porque obviamente todos pensavam ver o movimento corretamente, mas assim que surge a possibilidade da captação do instante tornou-se possível ver como realmente se movem as pessoas e os animais. É óbvio que este conhecimento foi quase automaticamente adaptado à pitura, o que mudou séculos de tradição pictórica. Podemos então reconhecer a presença de dois meios num quadro equestre por exemplo, a pitura e a fotografia, porque sem a representação automática não seria possível a manual ser fiel à realidade.

Temos que reconhecer o termo media como sinónimo de meio, um suporte que transmite informação, e quando realmente o aceitamos como tal o conceito multimédia torna-se claro: a presença de mais que um meio. Com a quantidade de meios existentes as combinações são imensas, o que trona o computador uma gota de água num oceano de hipóteses. 

                                              Emanuel Taborda