Sempre foi possível reproduzir uma obra de arte, fosse através da pintura, da escrita ou até da música. No entanto, e segundo as ideias de Walter Benjamin, a reprodutibilidade de uma obra de arte por meios técnicos, surgiu como inovação, permitindo retratar uma obra de arte de uma forma mais realista e fidedigna.

Por outro lado, por mais perfeita que seja uma reprodução técnica, falta-lhe a característica singular sempre presente numa obra de arte “o aqui e agora”. A reprodução técnica é sempre mais independente do que a reprodução manual, chegando a pôr em causa a autenticidade da obra de arte.

Para além da tipografia, que melhorou o mundo da literatura, e da litografia, também na pintura existiu um “sucessor” para representar a realidade conforme a observamos. A fotografia. Esta técnica de criação de imagens, através de uma exposição luminosa e da fixação de uma superfície sensível, faz com que haja a “libertação” da mão do processo de reprodução de imagens.

Apesar de vir a possibilitar o cinema sonoro, juntamente com a reprodução técnica do som, há uma série de opiniões divergentes acerca da fotográfica ser ou não considerada uma arte.

Na minha opinião, baseada e concordante com a de Roland Barthes (conhecido escritor, sociólogo, filósofo, semiólogo e crítico literário francês), é que a fotografia pode não ser considerada uma arte por ser facilmente produzida e reproduzida. No entanto, penso que a sua verdadeira alma artística é exactamente a interpretação e reprodução pragmática da realidade. Para se ser fotógrafo e conseguir captar artisticamente um momento único, singular, é necessário que haja sensibilidade por parte do artista para existir uma recriação do mundo externo, através da realidade estética. A fotografia pode ser arte dependendo do contexto, do momento e dos detalhes envolvidos e presentes na imagem.

Concluindo, neste processo de reprodução técnica, o valor de exposição ultrapassa totalmente o valor de culto. A fotografia liberta a pintura do seu processo realístico, e apesar do não desaparecimento desta arte, o retrato fotográfico ocupa claramente uma posição central, na disputa inicialmente travada à volta do valor artístico das representações de cada uma destas formas de reprodução.

É ainda importante referir que, hoje-em-dia, a fotografia e a pintura se podem incorporar uma na outra, sendo a primeira, muitas vezes utilizada para fotografar pinturas, publicitar e catalogar exposições e eventos que envolvam “quadros, telas e pincéis”.

Frida Kahlo, Self-portrait with Thorn Necklace and Hummingbird

Retrato fotográfico de Frida Kahlo

Mariana Santos