Na década entre 1994 e 2004, os telefones móveis tornaram-se tão omnipresentes que apareceu um novo aviso nos cinemas, nos teatros e noutras salas de espectáculos: o ritual de silenciar aqueles aparelhos oblíquos. Golan Levin e os seus colaboradores, Scott Gibbons, Gregory Shakar e Yasmin Sohrawardy, inverteram esta prática social em Dialtones: A Telesymphony, uma performance musical tocada nos telemóveis da audiência, cujos toques são, geralmente, considerados poluição sonora nos espectáculos públicos. Dialtones foi exibido pela primeira vez em 2001 no festival Ars Electronica em Linz, na Áustria. Duzentos elementos da audiência juntaram-se numa orquestra telefónica registando os seus números de telefone em quiosques seguros da Net no local do concerto. Os artistas colocaram estes participantes em locais específicos e carregaram os seus telefones com toques especiais para a performance. Determinando à partida o local exacto e tom de cada telemóvel, Levin e a sua equipa foram capazes de produzir progressões de acordes diatónicos, melodias distribuídas espacialmente e ondas de sons. Os performers no palco actuavam como maestros de orquestra, utilizando um “instrumento software” para chamar os participantes a intervalos específicos. A composição com os toques, acompanhada de projecções sincronizadas, durou cerca de trinta minutos e criou efeitos sonoros únicos nesse novo meio. A música alcançou um crescendo quando todos os duzentos telemóveis tocaram durante um período de quatro segundos. Dialtones também foi apresentado um ano mais tarde, em Artplage Mobile de Jura, na Suíça. “Se a nossa rede de comunicações Global pudesse ser pensada como um organismo único comunal, então o objectivo de Dialtones é transformar indelevelmente a forma como ouvimos e compreendemos o gorjear deste ser multicelular monumental”, explica Levin. “Ao colocar cada participante no centro de um massivo aglomerado de altifalantes, Dialtones torna visceralmente perceptível o éter do espaço celular.” Dialtones chama a atenção para as novas formas de relações sociais que surgiram com os telemóveis e, ao fazê-lo, transforma a tecnologia quotidiana numa plataforma de experimentação artística. Levin estudou desenho, pintura e composição musical antes de aprender, por si próprio, a programar computadores em 1996. Dialtones desenvolve o legado de John Cage, que utilizou sons do dia-a-dia na sua música, e cujo trabalho inspirou gerações de músicos e de artistas. No entanto, ao contrário de Cage, que reagiu à rigidez das composições do século vinte, aplicando o acaso e a variabilidade ao seu trabalho, Levin e os seus colaboradores tentaram introduzir na imprevisível, muitas vezes incompatível rede de telemóveis internacional uma sensação de ordem sinfónica.