A verdadeira história de Teena Brandon, uma rapariga de 21 anos de idade que em 1993 foi violada e assassinada por se fazer passar por homem, fascinou as audiências cinéfilas quando Hillary Swank a retratou em “Os rapazes não choram” (1999). Um ano antes, o Museu Guggenheim, em Nova Iorque, encomendou a um artista americano oriundo de Taiwan, Shu Lea Cheang, que fizesse Brandon, um trabalho artístico baseado na Net (o primeiro encomendado pelo Guggenheim) que explora a história de Teena Brandon numa forma experimental, não linear, comunicando a fluidez e a ambiguidade do género e da identidade nas sociedades contemporâneas. A primeira imagem apresentada no site Brandon é um simbolo de WC em morphing. Transforma-se de bebé em mulher e depois em homem, continuamente. Esta simples animação resume bem a própria experiência de Teena Brandon, que nasceu biologicamente mulher e preferiu mais tarde apresentar-se como homem. O visitante avança por uma página na Internet que contém uma grelha com fragmentos de imagens: diagramas anatómicos de genitais masculinos, tatuagens, corpos perfurados, uma figura de um homem de fato e cabeçalhos de jornais. Ao passar por estas imagens com o cursor outras são reveladas, cada uma representando um componente da narrativa da vida e do assassínio de Brandon. Esta interacção rudimentar sugere o processo de reunir pistas para desvendar um mistério. Ao escolher a Net como meio principal para o seu projecto, Cheang sugere a ligação entre a história de Brandon de fusão de géneros no mundo físico e o fenómeno paralelo do género jogado online, em que as pessoas assumem personalidades online que não correspondem àquela que incorporam. Mas Cheang não limitou Brandon à Net. Durante este projecto, que durou um ano, as imagens do site foram apresentadas na Video Wall, no agora extinto Guggenheim SoHo, em Nova Iorque. A crítica de arte, Liz Kotz, descreve a genialidade do trabalho  de Cheang, que aborda uma variedade de temas oportunos relacionados com os media, desde a música pirata à industria pornográfica, como “associações cooperativas, trabalhos que cruzam os assuntos políticos com as tecnologias comerciais”, características que aparecem repetidamente na prática artística da New Media Art. A utilização por Cheang de um site para lidar com temas como o género e a identidade em Brandon, ecoa a utilização do vídeo, uma nova tecnologia nos anos 1970, por artistas feministas como Eleanor Antin e Martha Rosler. Tal como estas artistas, Cheang usou uma forma emergente para examinar como o género é popularmente entendido, categorizado e definido. “Cada agência de arte deve submeter-se à actualização digital. Ainda ontem entregávamos o nosso trabalho na Internet para “colecções permanentes” nos museus, desde que facultassem os servidores para arquivar. Hoje, flutuamos (no mercado e no sentido de viajar). Os comerciantes eventualmente irão voltar para trabalhar a cena.” Shu Lea Cheang