Ao ser proposta a análise de uma obra de arte multimédia, rapidamente surgiu a ideia de estudar algo ligado com a televisão. Mas tendo em conta que é o cinescópio, a válvula responsável por quase toda a prática artística nos média modernos, (até ao aparecimento do LCD), foi tomada pelo meu grupo, a decisão de estudar a forma como este afetou as nossas vidas e por isso, o porquê de ser ele a escolha como meio transmissor, feita por tantos artistas.

Para demonstrar como a televisão é um meio multimédia, foi feito um trabalho de decomposição física do aparelho, no qual, em primeiro plano foram separados os componentes de transmissão pictórica dos sonoros. Como não era o objetivo do estudo, não se deu muita importância à evolução do som mono para estéreo, mas a prova de que o som no sistema televisivo é importante foi a velocidade com que se passou a utilizar o estéreo nos aparelhos após a sua descoberta.

Na verdade, a televisão não é mais que a evolução do rádio. Os primeiros aparelhos que emitiram som e imagem diretamente para o interior dos lares eram rádios com uma pequeníssima janela de luz, onde se podia distinguir algumas figuras. Entretanto, evoluíram para o que conhecemos hoje e só o facto de misturar a emissão de som com a de imagem, já as torna aparelhos multimédia.

A ilusão cinematográfica, por ser composta por vinte e quatro fotogramas por segundo, é por si só a criação de um meio a partir de outro. A ilusão televisiva decompõe ainda mais a imagem. Antes das vinte e cinco imagens por segundo comporem o movimento, estas são criadas a partir de pontos que formam linhas. É portanto uma composição pictórica, conceptualmente muito aproximada à pintura. Embora este aspeto não torne a televisão um meio mais multimédia que o cinema, o facto de esta fazer entrar a informação nas casas dos espectadores, torna-os muito diferentes.

A receção de imagens em movimento em grupo, ou no conforto do lar, é bastante diferente. É comum quase a todos nós, o familiar de idade que responde à televisão, ou que avisa o personagem de um qualquer melodrama que um perigo está próximo. Uma das razões para que isto aconteça é a proximidade que se cria com o aparelho. A quantidade de tempo que passamos em privado com a televisão faz com que se criem uma espécie de laços de confiança com o aparelho. A sensação de proximidade que podemos sentir em relação a alguns apresentadores televisivos deve-se a isso mesmo. Ao contrário do cinema, a televisão tornou-se uma companhia.

É evidente que um meio tão poderoso serviu de tela a alguns artistas, e é inclusivamente comum, o uso do aparelho em críticas ao sistema televisivo.

                                                                             Emanuel Taborda