Os artistas confrontam-se com os limites do seu meio e isso fá-los quebrar as convenções e criar uma nova forma.

Em relação ao desejo multimédia de literatura o século XIX é importante, pois dá-se o desenvolvimento das técnicas descritivas. Contudo, a presença da descrição encontra-se ao longo de toda a literatura mas acentua-se mais neste século. Esta forma de representação é o desejo do óptico, aquele desejo que Kittler descreve quando pensa em pintura e fotografia vê-se, também, na literatura.
Se ao longo do século XIX havia o desejo do óptico, uma objectiva do real, a partir daqui, o século XX vai ser a subjectividade e como o eu vê o mundo.
Como exemplo deste desejo de multimédia temos a “Ode triunfal” de Álvaro de Campos em que são nítidas as estratégias literárias que ele usa (aliteração, onomatopeia) para dar a sensação de movimento, de barulho, como se passasse a ser um poema sonoro, afecta um dos nossos sentidos humanos (neste caso, a audição).
O desejo multimédia na pintura é o desejo de dar movimento às representações, como por exemplo num quadro de Pablo Picasso em que há uma desconstrução, torna-se visível a expressividade do olhar, a subjectividade da objectiva. Há uma presença do tempo e de múltiplas perspectivas; ou num quadro de Van Gogh em que é utilizada a técnica da pasta em relevo, de longe parece um objecto tridimensional e ao perto dá para ver as pinceladas e a tinta.
O desejo multimédia na música e na dança, o desejo de combinar os média é algo que podemos encontrar mesmo em meios que já são multimédia como a própria música.