Resumo do conteúdo apresentado:

Laurie Anderson, como já foi referido na publicação anterior, é uma artista performativa experimental, compositora, e instrumentista. Por ser melodicamente interessante, canta e interpreta vários tipos de música experimental, como por exemplo Rock Art (uma variante do Rock com influências do Avant-garde).

“Treinada” para ser escultora realizou a sua primeira obra de arte performativa nos anos sessenta, mais precisamente em 1969, com a performance de uma sinfonia tocada simplesmente com buzinas de automóveis.

Durante a década de setenta, Anderson também fez várias actividades relacionadas com a arte da performance. Desenhou a famosa banda desenhada subterrânea Baloney Moccasins, trabalhou como instrutora e crítica de arte para revistas como a Artforum e fez ilustrações para livros infantis.

É importante referir que muitas das suas gravações iniciais continuam desconhecidas, pois nunca foram publicadas, ou foram emitidas em quantidades limitadas.

Na década de setenta cria “Duets on Ice”, inicialmente uma performance de rua que passou a ser apresentada nos palcos Nova-iorquinos e posteriormente em muitas outras cidades mundiais.

Esta performance resume-se a Anderson a tocar no seu violino enquanto usa patins de patinagem artística embutidos em blocos de gelo. A peça termina somente quando o gelo derrete.

Já no século XXI, no ano de 2005, Laurie reexecuta esta peça adicionando uma nova dimensão tecnológica, inexistente na performance original. Os solos do violino foram pré-gravados e durante a performance tocaram através de um altifalante dentro do violino, mantendo o final fiel à performance inicial. Mais uma vez, a obra só termina quando o gelo derrete na totalidade.

Tornou-se mundialmente conhecida no mundo da arte em 1981 com o seu single “Superman”  (canção que simbolizava na altura um pedido de ajuda contra a manipulação controladora dos meios de comunicação) e em 1986 com protagonização e realização do documentário “Home of the Bave”, com a incorporação do tema “Language is a Virus”.

A artista norte-americana foi essencialmente uma pioneira na música electrónica e inventou inúmeros dispositivos que usou nas suas gravações e nos seus espectáculos performativos.

No ano de 1977 criou um violino – The Tape-Bow Violin – com um arco feito de fita magnética em vez de crina de cavalo que já na sua versão mais actual descarta esta mesma fita e usa amostras áudio MIDI, realizadas pela fricção/contacto com o arco.

No final dos anos noventa desenvolveu um “bastão” – The talking Stick– que, muito sucintamente, é um controlador MIDI de aproximadamente 1.80m que controla o acesso e faz réplicas de sons diferentes.

A sua última invenção até à data foi The Voice Filters, um dispositivo que aprofunda a voz do seu utilizador. Anderson chama esta técnica de “áudio drag”.

É importante referir que Anderson, nas suas obras, tem quase sempre um papel crítico perante as questões socioculturais da altura. Nas suas composições ela narra textos melódicos e sempre com o apoio dos restantes aspectos da performance em si, quase como se estivesse a interpretar poesia, numa tentativa de captação das suas ideias e avaliações pela parte do público.

Nos anos oitenta, tinha-se dado como certo que tinha chegado a época da geração dos meios de comunicação. Criados à base de televisão e “Rock and Roll”, os artistas de performance dos anos 80 consideraram que se nas décadas anteriores houve uma tentativa de derrubar as barreiras existentes entre a arte e a vida, então era agora a vez deles de derrubarem as “trincheiras” existentes entre a arte e os meios de comunicação. Um desses grandes exemplos e uma das defensoras desta causa foi Laurie Anderson que cruzou estas duas margens na sua obra “Estados Unidos”.
Esta performance com oito horas de duração trouxe a conciliação da canção, narração e prestidigitação. Com a encantadora presença cénica da artista e também com a sua obsessão pela comunicação, Anderson forma uma “analogia” acerca da vida, como sendo um “circuito fechado”.

Mariana Santos