Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk é uma ópera de quatro actos do compositor russo Dmitri Shostakovich que estreou em 1934. O argumento é perverso e sombrio. Inspirado na obra de Nikolai Leskov, conta a história de uma mulher controlada e julgada pela sociedade, Katerina Lvovna Izmaylova, que se apaixona por outro homem e mata o sogro, o marido e o sobrinho deste. O título faz referência a Lady Macbeth, a anti-heroína da tragédia shakespeareana Macbeth (1606).

A ópera tornou-se famosa pela intervenção das autoridades soviéticas. Em Janeiro de 1936, funcionários do governo comunista, incluindo Estaline, assistiram a uma apresentação desta no Teatro Bolshoi.

Dois dias depois de Estaline ter assistido com evidente desagrado à ópera de Shostakovich “Lady Macbeth de Mtsensk”, o Pravda publicou uma crítica arrasadora sob o título “Confusão em vez de música”. Os compositores foram avisados de que, como toda a arte, também a música tinha de se moldar por princípios de “simplicidade, realismo e imagética compreensíveis”.

Segundo Walter Benjamin, “a autenticidade de uma coisa é a essência de tudo o que é transmissível desde o início, da sua duração (substantiva) ao testemunho da história que presenciou.”

“Mesmo na reprodução mais perfeita, um elemento está ausente: o aqui e agora da obra de arte, a sua existência única, no lugar em que ela se encontra. (…) A esfera da autenticidade, como um todo, escapa à reprodutibilidade técnica.”

No entanto, quando estamos perante uma reprodução desta obra, graças ao contexto histórico da obra original, podemos sentir a presença de Estaline.