Sumário de Apresentação Oral

Breve Análise do filme “Berlim, Sinfonia de uma Capital”

 Em “Sinfonia de uma Capital”*, toda a marcação visual rigorosamente elaborada durante a montagem da obra, é determinada pela execução de uma orquestra de 75 músicos.

Com a intensidade de estímulos visuais oferecidos na montagem, ganha-se ritmo, que é, para além de um efeito técnico, uma proposta de alteração fisiológica pelo corpo receptor – pode-se assistir um filme de forma distraída, como também envolver-se profundamente.

No entanto, a compreensão proposta é, a partir de uma percepção rítmica, a caracterização do fenómeno urbano que marca a vida quotidiana quase que de forma capilar. Na qual pode culminar na subtracção progressiva das singularidades inerentes aos diferentes corpos e formas de vida.

No registro documental das mudanças sociais, como a sustentação da cidade por sua contínua extensão periférica que ganha expressão, especialmente, na sua classe operária, assim como a imponência esmagadora de toda a estrutura mecânica que compõe a paisagem urbana daquela Berlim. Ainda há a busca, por quem visiona a obra, de uma relação baseada no duplo empatia/repulsa. Uma busca por uma identidade humana que esteja para além da funcionalidade da vida prática, muitas vezes parasitária em detrimento da conjuntura urbana.

Todavia se, assistimos à obra percepcionando um ritmo alheio ao nosso (e que também está em constante transformação), através dos recursos da montagem audiovisual, acabamos por interagir (isso é, não contemplamos) a obra em questão e, até certo ponto, confundimo-nos com ela. Senão fosse por dadas as limitações existentes entre média e corpo.

E, contrariando Wagner naquilo que posso, não penso que o indivíduo “terá que sair completamente de si mesmo para apreender, naquilo que é específico da respectiva essência, uma personalidade que lhe é alheia”, posto que esse “indivíduo” de que falamos deve ser considerado (por mim) na sua trans-individualidade e inalienável singularidade que o compõe, isto é, considerar cada contradição apreendida durante sua experimentação no mundo, assim como sua resistência expressiva pela sua manifestação no mundo.