Sumário de Apresentação Oral

 Breve Crítica a cerca de “A Obra de Arte do Futuro” de Richard Wagner

             O célebre compositor e teórico Richard Wagner* é contemporâneo à evolução da fotografia e à invenção do cinematógrafo, ao que, mais tarde, daria condições ao aparecimento de uma sétima arte, o Cinema.

Entretanto, já na sua obra bibliográfica intitulada “A Obra de Arte do Futuro”, podemos encontrar princípios de uma consciência da linguagem cinematográfica.

Ao passo que Wagner propõe uma nova concepção poética da obra de arte, também propõe uma estruturação da recepção estética da obra de arte pelo público.

Considerando os devidos enquadramentos históricos que sucedem à publicação da teoria de Wagner, como por exemplo:

– o fato de uma nova arte poder ser, além de manipulada pela montagem, ser reproduzida em série e, ao mesmo tempo, conter os princípios estéticos propostos por Wagner;

– a instalação de um regime político com bases socialistas que vê seus princípios no fascismo e, por isso, simpatiza-se com os princípios estéticos propostos por Wagner;

– e por último, a relação da arte cinematográfica com os fins políticos do fascismo, capazes de criar um fenômeno antropológico nunca conceituado antes – a expressão em massa – que também familiariza-se com os princípios estéticos propostos por Wagner, especialmente na recepção da obra de arte.

Abaixo exemplifico através de um pequeno esquema, os três contributos que, a meu ver, Wagner ofereceria então à “obra de arte do futuro” que seria, senão, o Cinema – um ato de retro-alimentação (inconsciente ou visionário) entre a composição das linguagens artísticas, nesse caso Opera/Cinema.

 Três contributos de Wagner ao que viria ser, de facto, a Obra de Arte do Futuro:

 Música

-Intrínseca ao Drama:

Capaz de criar harmonia (caso seja essa a intenção).

Altera o ritmo fisiológico podendo levar o espectador à catarse e/ou à expressão colectiva.

Exerce uma relação de poder com os espaços afectivos do corpo/memória – memória/colectiva, caráter social.

 Projecção

– Pintor paisagista:

Novas formas de expressão artística e interacção com o público:

“O que antes podia sugerir ou até levar às proximidades da ilusão, é o que ele agora poderá conduzir até à mais perfeita intuição ilusiva, pela aplicação artística de todos os meios da óptica e da utilização das luzes, que lhe são proporcionados.”

Registro cinematográfico

– O fenómeno humano real, assim como sua própria representação, implica movimento:

“Por seu intermédio a cena torna-se verdade artística total: o traçado, as cores, a utilização quente, vivificante, que faz da luz, obrigam a natureza a servir a suprema intenção artística.”

“(…) como seu valioso contributo, aquilo que o seu afortunado olhar, vai buscar à natureza, aquilo que, enquanto homem artista, quer apresentar à comunidade toda para deleite artístico desta.”

“Cópia viva da natureza, a única imagem que o homem artista pode dar-se  totalmente enquanto tal.”

Por escolha, fiz questão de destacar em vermelho as palavras carregadas de ideologia usadas por Wagner, com o intuito de afirmar minhas observações (que também são carregadas de ideologias) e provocar uma discussão aberta sobre a intenção de uso das mesmas.