Deparando-me com um artigo de Augusto Seabra intitulado “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade digital”,  automaticamente fui enviada para um passado recente, onde nas nossas aulas falámos tantas vezes em Walter Benjamin. Pois bem, neste artigo, é apresentado muito sucintamente o debate teórico entre Walter Benjamin e André Malraux. Temos presentes duas premissas cruciais sublinhadas no artigo. Malraux defende a ideia de que “os museus impuseram uma relação nova com as obras, transformando-as em arte”, já Walter Benjamin defende que “o que se atrofia na era da reprodutibilidade técnica é a sua aura”.

Não vou, de todo, como seria previsível, explicar o que li neste artigo (até porque o artigo explica resumidamente mas muito explicitamente em que consiste este debate). Vou sim, aproveitar-me das palavras de Augusto Seabra para desenvolver a ideia que o mesmo colocou: visto que estamos numa nova era, numa nova dimensão que nenhum dos autores anteriormente referidos imaginou que viesse a existir (apesar do desejo de Malraux), onde é que fica a aura da obra de arte, onde é que a obra de arte ganha a sua importância enquanto Arte? Vou inclusivamente mais longe. Nós, ainda fomos habituados a visitar museus e a contemplar a obra de arte no seu estado mais puro. Mas será que as gerações futuras não pensarão de forma diferente se virem o nosso mundo transformado num mundo tecnológico e que para eles seja absolutamente normal? A meu ver a resposta é lógica. Assim como ao olharmos para o nosso passado vemos que a obra de arte ganhou outra dimensão mas que não perdeu a sua importância e com todo o desenvolvimento tecnológico até ganhou a possibilidade de chegar a um maior número de pessoas. A questão que fica no ar: será que todo o desenvolvimento tecnológico e digital não estará a diminuir a importância da essência da obra de arte (pensemos principalmente nas artes tradicionais) mesmo que lhe dê mais visibilidade?

Germana Duarte