A preocupação pela conjunção do visual e do musical desenvolveu-se na Alemanha do pós-guerra, quando o “Absolute Film” e as suas formas experimentais encontraram condições técnicas e culturais para operar sistematicamente e desde diferentes campos estéticos.

Walther Ruttmann, Viking Eggling, Hans Richter, Oskar Fischinger centraram o seu interesse num cinema essencialmente musico-visual e as suas obras eram mais ou menos abstractas, segundo a trajectória de cada director.

“A Sinfonia de Uma Capital” (1927) é um documentário baseado na vida quotidiana da cidade de Berlim.

O director, Walter Ruttmann, mostra-nos a sua visão da cidade ao ritmo da música de Edmund Meisel, uma sinfonia sobre a cidade. Com a junção da música as imagens, caracteriza a cidade de Berlim e manifesta a sua admiração pelo futuro industrial e moderno que esperava da cidade. Para realizar este filme, Ruttmann contratou o director de fotografia Karl Freund para o ajudar a filmar acerca da pulsação de uma grande cidade.

Encontrou a sua estrutura na música de “Entr’acte e Ballet mécanique” e foi, não só, um dos mais influentes filmes experimentais desse período, mas também um dos mais longos. Conta-nos a história do movimento, dos ritmos e das repetições de Berlim, desde o nascer ao pôr do sol. O filme de Ruttmann não tem personagens (sem enredo/narrativa) e usa algumas técnicas de montagem de Eisenstein.

O filme é claramente modernista. Nele está patente a visão impressionista de Ruttmann, o quotidiano, impressões do movimento, ilusões ópticas e o Abstraccionismo.

O palco da modernidade é a própria cidade e esta bombardeia-nos de sensação. As ruas desertas do final da madrugada, em Berlim, logo são invadidas pela multidão que se atropela entretida numa intensa vida ocupacional. A montagem adquire um outro ritmo, mais rápido, a música assume tons estridentes e o espaço fragmenta-se.

Pensa-se que este filme nasceu de uma associação de Walther Ruttmann com Carl Mayer, guionista e autor dos principais filmes do expressionismo alemão dos anos 20 (“O Gabinete do Dr. Caligari”, “A Noite de S. Silvestre”, “O Último”). Mayer imaginou/pensou realizar um filme sobre a cidade, mas abandonou o projecto perante a opção de Ruttmann de gerar uma estrutura definida.

Utiliza a montagem por contraste e analogias, tanto no plano visual como no sonoro, regista o movimento da cidade, o seu trânsito, os diversos meios de transporte, a sua atmosfera febril e caótica.