O traço comum entre os diferentes processos de singularização é um devir diferencial que recusa a subjetivação captalística. Isso se sente por um calor nas relações, por determinada maneira de desejar, por uma afirmação positiva da criatividade, por uma vontade de amar, por uma vontade de simplesmente viver ou sobreviver, pela multiplicidade dessas vontades. É preciso abrir espaço para que isso aconteça. O desejo só pode ser vivido em vetores de singularidade. Guattari e Rolnik (1986).

Na poesia o silêncio dito é marcado graficamente, uma performance manchada de negro, manifesta-se em estreita relação durante a composição do movimento que destaca suas formas. Saídas de espaços ancestrais à matéria, a memória quer ressignificar-se, quer ter presença em tempos presentes e esmaecer-se rapidamente como se não pertencesse a si.

O corpo, por sua vez, inscreve-se a si próprio. Sendo que os espaços da manifestação de sua experiência no mundo, são também os espaços que caracterizam sua expressão no mundo.  O registro dessa dinâmica convidativa à inventividade dramatúrgica, dá-se, também, pela utilização da percepção e da imaginação. Os processos de ressonação do corpo – onde interagem corpo, imagem e olhar – propõem a animação de memórias a partir do impulso, da pulsão, da potência de ação e do deslocamento corporal.

A intervenção no espaço altera a lógica temporal e, a partir de uma ressignificação do movimento, ganha-se microdramaturgias, intencionalidades transmutadas em imagens. Esse jogo dramatúrgico, quando em contato com a paisagem urbana, traz-nos possibilidades de reformulação de um espaço marcado pela opacidade de ritmos, por uma lógica capilar geradora de uma relação automatizada com a vida urbana.

O espaço urbano, por sua vez, também carrega suas memórias e microdramaturgias que, aliados à uma forma, transformam-se em poéticas. Seja nas estruturas arquitetônicas ou nas desconstruções delas. A paisagem também é olhar. Apresenta partituras orgânicas e dança na sua organicidade.

Propor uma intervenção na paisagem urbana, é também propor, em respeito à ela, uma interação à paisagem urbana. Intervir ecologicamente. Uma dança de celebração aos territórios afetivos e que também são materializados, – desterritorializados.