Abordou-se nas aulas a questão da interacção entre as artes, principalmente no que diz respeito à relação entre as artes mais arcaicas e aquelas dependentes das tecnologias.

Com o surgimento dos pianos eléctricos, que permitiam modular o som das frequências graves para se aproximarem do timbre dos baixos eléctricos (como podemos ouvir nos The Doors), falou-se do fim dos baixistas. Ao aparecerem drum machines com memória, permitindo criar variações em pontos específicos da música, falou-se do fim dos bateristas. Da mesma forma, o cinema foi visto por alguns como algo que poderia pôr fim ao teatro, e a fotografia seria o carrasco da pintura.

A verdade é que todos estes elementos sobreviveram, e poderão até ter incentivado desenvolvimentos nas várias áreas. Será apenas uma coincidência que o teatro épico de Brecht só tenha surgido após a invenção do cinema, apesar de o teatro ser uma arte milenar?

Com a fotografia a ocupar-se do realismo, a pintura podia desenvolver-se noutros sentidos. Um número crescente de pintores adoptou o abstraccionismo, o cubismo, o expressionismo, e outros movimentos artísticos que pretendiam retratar a realidade de uma forma diferente da que é apreendida pelos nossos olhos. E, da mesma forma que a fotografia afectou a pintura, a pintura afectou a fotografia.

Neste post pretendo apenas partilhar o trabalho de um dos meus fotógrafos favoritos. Da mesma forma que Ansel Adams revolucionou a fotografia a nível da exposição e do contraste entre zonas claras e escuras, Ernst Haas foi um génio da fotografia a cores. Apesar de ter uma vasta e diversa obra, foi através do seu estilo próprio de fotografar e de tratar as fotografias no laboratório que imortalizou o seu nome, criando imagens que parecem autênticas pinturas.