Partindo de uma das teorias de Kittler, as artes visuais têm tido uma evolução contínua desde a renascença. Na verdade, penso que esta evolução começa muito antes, na primeira representação visual. Se bem que a perspectiva entra na pintura na renascença, já nas representações rupestres se nota uma tentativa de criar distancias com diferentes tamanhos e proporções, mas o que interessa focar é a evolução nos meios pictóricos.

Se é claro que os média são extensões dos nossos sentidos, torna-se evidente que o seu humano os vá tentar aperfeiçoar ao limite. Como a extensão historicamente mais explorada é a da visão, é sobre esta que incidiram os maiores avanços tecnológicos. A passagem das técnicas de inscrição visuais artesanais como a pintura e o desenho para as automáticas com a fotografia, fez com que a quantidade de imagens a circular se multiplicasse. Esta multiplicação fez com que a maioria da população tivesse acesso a imagens que de outra forma seria impossível.

Com a passagem das imagens estáticas para a ilusão do movimento por elas criado, criou-se uma janela mágica que pode levar para o outro lado do mundo reproduções fiéis de episódios passados. Este instrumento é tão poderoso, que aquando a invenção da emissão televisiva, politicas extremistas se serviram dele como forma de propaganda e lavagem cerebral. Mesmo com imagens que não sejam manipuladas, uma reprodução é sempre um olhar subjectivo de algo. Ao “obrigarmos” alguém a ver imagens como nós as vemos não podemos evitar a imposição do nosso ponto de vista. Embora pensemos que esta manipulação deixou de existir, podemos ainda observá-la em alguns noticiários sensacionalistas actuais.

A divulgação de informação em massa não podia passar despercebida ao mundo das artes. Ao mesmo tempo que os media automáticos se desenvolvem, está a performance a florescer. É evidente que uma forma de arte que dá mais valor às ideias que estão por trás da obra final que esta em si, se vai apropriar de um meio de transmissão em massa que se está a tornar exponencialmente mais barato. As mensagens dos artistas têm agora o melhor meio de circulação. Como exemplo proponho a visualização do vídeo seguinte.

Marina Abramovic, Video Performer