“(…) o passo decisivo para o aparecimento da consciência não é o fabrico de imagens e a criação básica da mente. O passo decisivo é tornar nossas essas imagens, levá-las a pertencer aos seus devidos donos, os organismos singulares e absolutamente circunscritos nos quais as imagens emergem.”

António Damásio, em O Livro da Consciência 

Não nos considero uma mera máquina de ver e ouvir. As sensações, e o que me chega do que chamamos realidade não podia fazer parte de uma máquina. Isto porque temos consciência, e então os nossos sentidos tornam-se uma passagem a papel químico, da realidade, mas que é preenchido com as cores que existem dentro de nós. Estamos assim a tornar esta realidade nossa. Assim, esta imagem que acabámos de criar, e que integrará no mapa de imagens nossas que vamos criando, vai necessariamente influenciar a forma como percepcionamos tudo o que a procede, tornando-o nosso, por mais analíticos que tentemos ser.

Tudo isto vai influenciar a forma como nos vão mediar os sentidos, seja ao olhar o Pomar Branco de Van Gogh, ouvir uma sinfonia de Beethoven, ou até ver o anúncio como o que discutimos na aula. E exemplo claro disso é o registo que foi feito de uma aula, sob suportes diferentes, no qual seria impossível haver dois iguais, se voltássemos a repetir a experiência.

Assim, é singular a imagem que cada um cria. Então posso dizer que estas imagens que criamos, sejam visuais, auditivas, ou até sinestésicas, se assemelham a desenhos. Não há um igual. Esta é a subjectividade dos nossos média naturais. E assim o é a experiência diária mediada por algo bem mais complexo que uma máquina. A nossa experiência.

Mª Inês Carvalhal