Reduzir o ser humano à definição de ser uma “máquina de ver e ouvir” é ignorar o papel que a nossa imaginação e percepção das coisas tem na análise visual de uma obra de arte (como “O Pomar Branco” de Vincent Van Gogh) ou uma análise auditiva. Penso que a percepção é uma coisa individual. “Recordando o que antes viu”, eu posso recordar pormenores que outra pessoa poderá nem ter reparado e vice-versa. Referindo-me especificamente à pintura de Van Gogh, este é a reprodução do que o pintor viu, sendo diferente se fosse reproduzido por outro artista, porque teria sido visto de um ponto de vista diferente. O mesmo acontece com os músicos. Ao reproduzir um som já ouvido, o resultado poderá variar consoante a pessoa. Um outro exemplo é quando uma determinada musica nos relembra uma situação qualquer. Diferentes recordações visuais e auditivas podem por vezes unir-se numa mesma memória. Assim, pessoas que tenham experienciado uma mesma situação em que foram expostas aos mesmos sons e imagens irão recordá-la de maneira diferente. O papel que os media têm em tudo isto é que conseguem modificar um pouco as memórias que nos tínhamos de certa coisa (subjectivas) e torná-las um pouco mais objectivas através da reprodução de sons e imagens (gravações) fazendo-nos ver as coisas de outro ponto de vista e até aproximar as diferentes recordações (ficando mais semelhantes) provocadas nas pessoas.

 

Marta Torres