O cinema não se resume à reprodução de imagens e sons, nem à sincronização da imagem em movimento com o som. É uma extensão dos nossos sentidos que recorre às nossas emoções, à nossa memória e à nossa interpretação.

Os nossos olhos e os nossos ouvidos recolhem a informação que captamos e enviam-na para o nosso cérebro. Ele processa essa informação e liga-a com outra adicional já existente. Essa informação adicional faz parte de nós e integra a nossa experiência, formando a nossa identidade.

No filme Laranja Mecânica, o protagonista é um ser biológico. Gosta de leite, Beethoven, violência,… sensações.

Chegará uma altura em que a questão da responsabilidade humana, tanto em termos morais gerais como em questões de justiça e da respectiva aplicação, terá em conta a ciência da consciência, que se tem vindo a acumular. Talvez esse momento já tenha chegado.

António Damásio, O Livro da Consciência

O filme é sobre o livre arbítrio e dá-nos muita informação para pensar. As montagens alteram o processo de captação da realidade e o modo como o filme está feito influencia a nossa interpretação.

No trailer podemos ver a parte em que o Alex passa pela primeira vez pelo velho, debaixo da ponte. As sombras de Alex e do seu grupo são maiores do que a dele, no entanto, quando sai da prisão, passa na mesma ponte e o velho já tem uma sombra maior… o que traz outro significado à acção.

O cinema é, portanto, uma arte. Suscita em nós sensações e constitui uma estética sobre a qual gostamos de reflectir.