Cada vez mais a Arte se torna um objecto de captação de uma realidade. O corpo humano interage com a realidade que nos é apresentada através de diversas formas, sendo a emoção, por exemplo, uma das “áreas” mais estimuladas.
Ao visualizarmos a obra de Van Gogh, “O Pomar Branco” de 1888, podemos sentir através dos olhos a brisa que ocorre no momento representado, sentindo como que esta nos tocasse sobre na pele.
Na área da música, um interprete tem por objectivo interpretar sensações audíveis. Ao ouvirmos uma música, um simples acorde nos pode comover, e o poema cantado pode-nos transportar para uma realidade passada. Neste preciso momento, nós enquanto espectadores estamos a ser “vítimas” de um mecanismo de profunda consciência. O som também tem uma dimensão espacial e temporal, que faz o ouvinte sentir o espaço entre o EU e a música.
Sendo a arte um mecanismo de estímulo das nossas emoções e sentidos, a multimédia através do media é uma extensão destas mesmas emoções e sentidos no indivíduo, que nos permite ouvir e visualizar “coisas” que não estavam ao nosso alcance. Um dos exemplos mais patentes desta mesma afirmação na actualidade é o cinema 3D, que nos transporta para uma realidade ouvida, sentida, e visualizada dentro de uma sala de cinema. Todos os nossos sentidos ficam em “alerta” enquanto visualizamos um filme do género, e torna-se como que nós mesmo espectadores estivéssemos dentro do mesmo. Há uma relação de hipermediacia entre o indivíduo e a tela visualizada.
Associação da arte com a multimédia, pretende que captemos todas as “sensações” que uma obra nos pode transmitir, absorvendo de uma forma tão intensa, que seja possível ouvir pelos olhos, e ver pelos ouvidos.

Ana Rita Freitas