Sou uma máquina. Sou mantido vivo com uma bomba hidráulica, tenho um fole, opero em resposta a sinais eléctricos. Como produto disto tudo: Mantenho me quente com o liquido que circula dentro de mim, troco oxigénio por dióxido de carbono, tenho consciência.

Dentro da minha couraça tenho consciência daquilo que sou, mas a partir do momento que me exponho fora do meu sistema não me reconheço por inteiro. Filtro me para o mundo exterior na tentativa de uma tradução entre a minha máquina, com uma linguagem única concebida através de códigos retirados do sistema onde me insiro, e as outras máquinas isoladas que me rodeiam.

Será que os outros captam a mensagem que eu tento transmitir, que já fora mediada por mim à priori, e percebem-na directamente, ou é novamente traduzida dentro dos parâmetros dos seus códigos individuais?