Este programa centra-se na descrição da relação entre os processos de integração das artes e os processos de integração dos média. A observação das práticas multimédia e intermédia contemporâneas será precedida por uma reflexão sobre a especificidade do regime de representação das artes e do regime de inscrição dos média nos séculos XIX e XX. A grelha simbólica da representação artística tradicional (literatura, pintura, música, escultura, teatro, dança) é contrastada com a inscrição automática característica da representação fotográfica, fonográfica, cinematográfica, videográfica e cibernética. Reflectiremos ainda sobre o modo como a reprodução técnica retroage sobre as próprias práticas e formas artísticas, modificando-as. A reprodutibilidade digital dos novos média, dependente do processamento computacional, originou uma estética de base de dados que incrementa a recombinação convergente de formas artísticas e de meios tecnológicos. Graças a isso, a multimediação constitui-se como uma das práticas artísticas dominantes do século XXI.

O programa divide-se nos seguintes temas:
Tema 1: A arte como matéria e como mediação: a materialidade das artes e dos meios. Como definir multimédia? [4 aulas]
Tema 2: O regime da arte e o regime dos média: inscrição simbólica vs. inscrição física do real [4 aulas]
Tema 3: Os limites da arte como limites do meio: singularidade e multiplicidade dos meios [4 aulas]
Tema 4: Reprodutibilidade e multimediação: retroacções entre tecnologia e arte [4 aulas]
Tema 5: A integração das artes e dos meios na era digital: bases de dados, interactividade e imersão [4 aulas]