Merce Cunningham (1919-2009) foi um grande bailarino e coreógrafo norte-americano (a sua dança experimental e vanguardista), tendo iniciado a sua carreira profissional aos 20 anos na Martha Graham Dance Company.

Em 1944 apresentou o seu primeiro espectáculo a solo e em 1947 desenvolve para John Cage a coreografia “The Seasons” formando em conjunto com este a Merce Cunningham Dance Company em 1953. Em 1969 fica director da Companhia de Dança Moderna de Nova Iorque.

Depois dos anos 70 desenvolve coreografias através do computador, no qual encontra uma ampliação nas possibilidades criadoras.

Durante a sua carreira coreografou mais de 150 danças e mais de 800 Events, sendo responsável por mudanças na dança moderna e desenvolvendo uma estilo próprio. Entre os seus espectáculos estão: “Solo Suite in Space and Time”; “Dime a Dance”; “Untitled Solo”; “Fragments”; “Galaxy”; “Summerspace”; “Gambit for Dancers and Orchestra”; “Signals”; “One Day or Two” e “Events”.

Event é o “acontecimento único de dançar com forte ligação com o vivenciar do instante presente, do aqui e agora.” A dança é um “movimento natural e sem finalidade específica, em que não se procura um encadeamento lógico de movimentos, mas explorar os elementos fornecidos pelo acaso.” Cunningham apenas dava indicações de direcção e movimento.

As suas coreografias eram abstractas e sem ligações simbólicas ou argumentos, criando assim um estilo de dança experimental e vanguardista, a minimal dance, impondo essa disciplina artística como uma forma de arte independente.

“A música (que poderia ir da instrumental à electrónica) representava apenas um acompanhamento sonoro, não tendo sido elaborada ou seleccionada em função de uma harmonia com os movimentos dos bailarinos.” Rejeitando o “contexto e a noção de obra dramática deu origem a duas tendências da dança moderna americana: a Nouvelle Dance e o Pos Modern.”

Colaborou com artistas como John Cage, Jasper Johns, Andy Warhol e Robert Rauschenberg e de entre os bailarinos que treinaram com ele alguns seguiram para formar as suas próprias companhias: Paul Taylor, Trisha Brown, Lucinda Childs, Karole Armitage, Foofwa d’Immobilité e Jonah Bokaer.

Uma das inovações que propôs com John Cage foi a da relação entre a dança e a música que diziam poder ocorrer no mesmo espaço e tempo mas deviam ser criadas independentemente uma da outra. “Fizeram também uso extensivo de processos, abandonando não só formas musicais como elementos narrativos e outros convencionais da dança e composição – tal como causa e efeito, e clímax e anticlimax. Para Cunningham os sujeitos das suas danças era sempre a própria dança.”

Constantemente inovando, Cunningham expandiu as fronteiras da dança e das artes visuais e performativas contemporâneas. Através da sua exploração e inovação tornou-se um líder na aplicação das novas tecnologias nas artes. Investigou a dança em filme e criou coreografias usando o programa de computador DanceForms. (http://www.merce.org/about/danceforms.php)

“Explorou a tecnologia de captação do movimento para criar décor para BIPED (1999), e o seu interesse nos novos média levou à criação de Mondays with Merce” (uma série de episódios online mostrando a sua técnica de ensino, vídeos de aulas, ensaios, entrevistas, etc.).

Várias companhias apresentaram os seus trabalhos: Ballet of the Paris Opéra; New York City Ballet; American Ballet Theater; White Oak Dance Project; e a Rambert Dance Company de Londres.

Merce Cunningham ganhou vários prémios pela sua contribuição para as artes: National Medal of Arts (1990); MacArthur Fellowship (1985); Jacob’s Pillow Dance Award (2009); Japan’s Praemium Imperiale (2005); British Laurence Olivier Award (1985) e foi nomeado Officier of the Legion d’Honneur em França em 2004.

 

 

Marta Torres

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